“Mas dado à hospitalidade, amigo do bem, moderado, justo, santo, temperante.” (Tito 1.8 NVI). Nesta carta a Tito, a apóstolo Paulo apresenta algumas credenciais necessárias para o exercício da liderança cristã. Em meio há elas, Paulo cita a hospitalidade como sendo parte dessas credenciais. Isso significa que a prática da hospitalidade não é um fator secundário no exercício da liderança, mas é parte inerente do líder que Deus usa. Por isso, se faz necessário a compreensão de três fatos:

Primeiro, a imagem do líder que tem vários subordinados e tem o poder de delegar muitas tarefas pode estar no imaginário de muita gente. A relação é justamente inversa, pois, o líder cristão é, em primeiro lugar, servo. Larry Kreider observou bem: Lideres que estão seguros no amor de seu Pai celestial são livres para servir, não esperando nada em troca. Eles não necessitam que seus egos sejam acariciados para funcionarem no papel de líderes. Eles têm uma confiança saudável em si mesmo e não procuram aprovação ou aceitação de outras pessoas. Eles estão felizes em servir porque sabem que são profundamente amados por Deus. [1]

A prática da hospitalidade faz com que nos tornemos servos melhores. Ela nos desafia a superarmos o orgulho e a dureza do coração, e exercita a nossa vida para a caminhada de servos de Cristo e da igreja a qual congregamos.

Em segundo lugar, a hospitalidade é ensinada com contundência nas Escrituras: Quando Paulo orientou aos Romanos a “praticar a hospitalidade” (Romanos 12:13), sua proposta era fazer com que os cristãos cooperassem uns com os outros em amor. O apóstolo João ensinou que a hospitalidade é dever daqueles que servem a Cristo, sendo “cooperadores em favor da verdade” (João 1.8). Já o apóstolo Pedro foi taxativo ao escrever: “Sejam mutuamente hospitaleiros, sem reclamação” (1 Pedro 4.9), esta afirmação revela uma tríplice verdade: 1. Ser hospitaleiro é uma benção, por isso não se deve reclamar ao praticar; 2. Ser hospitaleiro é parte de ser cristão; 3. Se trata de uma ordem divina para todo aquele que segue a Cristo. O autor de Hebreus de uma forma muito interessante escreveu: “Não se esqueçam da hospitalidade; foi praticando-a que, sem o saber alguns acolheram anjos.” (Hebreus 13.2), deixando a entender que alguns dos que acolhemos produzem bênçãos para nós. Mais a frente o autor orientou: “Não se esqueçam de fazer o bem e de repartir com os outros o que vocês têm, pois de tais sacrifícios Deus se agrada.” (Hebreus 13.16), deixando claro que a pratica da hospitalidade agrada ao Senhor. E o próprio Jesus Cristo deixou uma promessa para aqueles que praticam a hospitalidade: “Porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me hospedastes (…) Em verdade vos afirmo que sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes. ” (Mateus 25.35-40).

E por último, a hospitalidade é um meio eficaz de multiplicação. Anfitriões bem-sucedidos e líderes multiplicadores reconhecem e investem na hospitalidade, pois sabem que este ato quebra barreiras e constrói pontes para a comunhão e para o discipulado. A hospitalidade transforma estranhos em conhecidos, inimigos em amigos, conhecidos em pessoas íntimas, e membros em discípulos. Os benefícios são diversos:

  • Faz com que sejamos cada vez mais semelhantes a Cristo;
  • Nos torna uma igreja mais forte e unida;
  • Adquirimos um coração de servo;
  • Torna o discipulado mais envolvente;
  • Faz com que as pessoas que entram em nossas casas se sintam valorizadas e amadas;
  • Constrói novos relacionamentos e promove os já existentes;
  • Produz multiplicação em nossa liderança;
  • Nos torna referenciais.

Como ser um bom hospitaleiro?

James C. Hunter, famoso escritor na área de liderança, disse que “pensamentos viram ações, ações viram hábitos, hábitos viram o caráter, e o caráter vira o seu destino”. De fato, tudo começa quando compreendemos a importância de algo, e baseado nisso, começamos a agir, até que aquilo que compreendemos seja parte de nós mesmos. Nos que diz respeito a ser um bom hospitaleiro, é necessário:

  • Buscar um coração amoroso;
  • Decidir servir sem querer nada em troca;
  • Decidir fazer do seu lar um lugar de paz e benção para outras pessoas;
  • Pensar em ideias que proporcionem um alto nível de hospitalidade em sua célula.

Lembre-se sempre que uma célula bem-sucedida e multiplicadora é resultado de líderes e anfitriões hospitaleiros. A prática da hospitalidade além de ser bíblica, é também um meio eficiente de crescimento. É uma chave que abre muitas portas.

No amor de Cristo.

REFERÊNCIAS

[1] 1 KREIDES, Larry. 21 Teses da liderança eficaz. Ministério Igreja em Células. PR. 2011. Página 147.